Estava parada perto da porta só esperando eles chegarem, aquele seria o último jantar que faríamos juntos. Talvez eles nem notassem tanta diferença, afinal nunca fomos uma família de comercial de margarina, parecia haver quilômetros de distância que impediam qualquer tipo de relacionamento fraternal, até aquele dia...
Eles chegaram mais cedo, o que impediu de refletir mais uma hora, tinha tomado minha decisão já fazia algum tempo, mas o modo de dizer adeus sempre me encabulava, eu estava sem tempo e esse detalhe teria que ser improvisado.
Mamãe me surpreende e meu plano sai um pouco dos eixos, iríamos a um restaurante, aquilo não acontecia a séculos, o convite não me causou nada mais que estranhamento, já que programas familiares nunca tiveram a nossa cara, talvez tivessem novidades... Fomos ao "smile" - minha mente vagava pela ironia do título - sentamos os três em uma das mesas pra quatro pessoas do pequeno restaurante, decorativamente tosco com as paredes em vidro que nos bossibilitava ver a chuva lá fora. Aquela época sempre fora assim, por isso tinha a escolhido, seria mais propício aquele acontecimento, com o clima úmido, as pessoas frustradas por terem de cancelar eventos, talvez ninguém notasse aquele evento sádico que aconteceria, caso contrário a cidade pequena estaria reunida as lágrimas falsa e pessoas culpando e consolando minha dada família.
Eu jamais imaginaria o que iria acontecer, minha mãe, uma mulher tão distante, fria e discreta segurando as mãos de meu pai em cima da mesa, os olhares se encontrando e indo em minha direção, algo estaria por vir e, bom, aquilo o que fosse não estava nos meus planos...

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